O título deste blogue foi inspirado no texto antológico do alemão Walter Benjamin (1892-1940), Die Aufgabe des Übersetzers (A tarefa do tradutor), no qual ele postula que tradução é forma e, por isso, se há a possibilidade de trans-formar, de trans-pôr o texto na língua de chegada com a arte da língua de partida, a tarefa do tradutor se torna possível.Mais que a transposição de elementos estanques de um idioma para outro, a tradução é a arte de transmutar significados estranhos a um público naqueles compreensíveis aos receptores de um determinado idioma, fazendo com que a cultura se dissemine e se faça, conforme a imagem mais clichê sobre nosso ofício, a ponte necessária entre dois povos.
Se a tradução tem tamanha importância, por que os tradutores não são respeitados (ou quiçá conhecidos) por sua árdua missão? Por que estivemos em certa medida sempre à sombra de um texto original, de um véu que cobria nossa identidade e nos deixava à margem, sem louros ou glórias. Não que queiramos tantos confetes, mas ao menos precisamos ser respeitados por nossa tarefa social, remunerados de acordo e nunca vilipendiados por uma diversidade de contrariedades que apenas quem traduz conhece a fundo. Por isso, a tarefa hoje está além de tornar possível a transformação do texto. Precisamos transformar a imagem do tradittori (traidor) e caminhar para sermos cada vez mais vistos como profissionais competentes e desejosos de ser essa ponte para o mundo.
Aqui você encontra um texto da Universidade Federal de Minas Gerais sobre o texto de Benjamin, junto com o original em alemão e a tradução de Fernando Camacho.
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